terça-feira, 2 de outubro de 2007
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Pra início de conversa
Sempre relutei em ter um blog, por várias razões. A principal, para além de minha notória incompetência no manejo das ferramentas de criação e 'gerenciamento' de um website, pode ser expressa assim: "Por que criar um blog se não tenho nada de interessante a dizer?". Para mim, a pergunta sempre pareceu bastante razoável. Lembrava aquele famoso aforismo de Wittgenstein, ao final das "Investigações Filosóficas": Sobre o que não se pode falar, deve-se calar.
E, no entanto, fala-se - sobre tudo: sobre o que se pode e não se pode (mas, afinal, quem diz o que é possível ou não?); sobre o que se sabe e, principalmente, sobre o que não; sobre grandes temas e sobre banalidades; sobre política e religião; sobre sexo e futebol; sobre o que se fez ou se deixou de fazer; sobre comemorações e arrependimentos, a vida e a morte, a paixão e o desejo, sobre Deus o e mundo, isto e aquilo...
No fim, constatado que o que se diz é irrelevante - o interesse do que é dito não parece ser, ao contrário do que eu imaginava, um critério a ser considerado - rendi-me às evidências, e decidi: "Vou criar um blog". Para dizer o quê? Quem se importa? O que interessa é preencher o silêncio, ocupar o espaço, ser um performer da linguagem, e torcer para que a ecologia do ciberespaço promova algum tipo de equilíbrio nessa cacofonia toda. Ou não... quem sabe a polifônica instabilidade dos posts e comentários seja mais interessante...
Pensando bem, talvez John Cage estivesse com a razão: Não tenho nada para dizer, e estou dizendo. Isso é poesia.
E, no entanto, fala-se - sobre tudo: sobre o que se pode e não se pode (mas, afinal, quem diz o que é possível ou não?); sobre o que se sabe e, principalmente, sobre o que não; sobre grandes temas e sobre banalidades; sobre política e religião; sobre sexo e futebol; sobre o que se fez ou se deixou de fazer; sobre comemorações e arrependimentos, a vida e a morte, a paixão e o desejo, sobre Deus o e mundo, isto e aquilo...
No fim, constatado que o que se diz é irrelevante - o interesse do que é dito não parece ser, ao contrário do que eu imaginava, um critério a ser considerado - rendi-me às evidências, e decidi: "Vou criar um blog". Para dizer o quê? Quem se importa? O que interessa é preencher o silêncio, ocupar o espaço, ser um performer da linguagem, e torcer para que a ecologia do ciberespaço promova algum tipo de equilíbrio nessa cacofonia toda. Ou não... quem sabe a polifônica instabilidade dos posts e comentários seja mais interessante...
Pensando bem, talvez John Cage estivesse com a razão: Não tenho nada para dizer, e estou dizendo. Isso é poesia.
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